Provins, França

Adoramos Paris. Muito! Mas desde que descobrimos o interior da França, suas pequenas vilas e cidades medievais, passamos a adorar desbravar este mundo e viajar no tempo, vendo novas paisagens e ampliando horizontes.

Provins é uma cidade que está há cerca de 80 minutos de trem de Paris. Descobrimos recentemente que ela se localiza dentro da zona 5 do transporte da região de Paris. (Aqui você pode ver melhor este lance das zonas: https://www.ratp.fr/plan-rer-et-transiliens) Para circular de Paris por/para cada zona, o valor da passagem é diferente. Porém, recentemente, o passe Navigo (cartão semanal ou mensal que dá direito a andar em todos os meios de transporte público de Paris e região: bus, metrô, bonde, RER e trens) passou a abranger, pelo mesmo preço que andar dentro de Paris e periferia mais cercanias (zonas 1 e 2), todas as 5 zonas sem custo adicional. Perfeito!

Estando em Paris por algumas semanas entre julho e agosto de 2017, programamos uma semana para circular por cidades vizinhas de Paris. Estivemos então em Épinay-sur-Seine, ao norte; Sceaux e Fontainebleau, ao sul; e Provins, ao sudoeste (Disney Paris tava na lista, mas faltou energia na semana). Tudo por conta do Navigo.

Pegamos o trem na Gare de l'Est, e seguimos a Provins. Lá, desembarcamos e fomos em busca de um Office de Tourisme. Tinha visto pela internet que havia um próximo à cidade antiga e lá fomos nós flanando pela cidade pra obter um adorado mapa em papel e informações sobre o local. 

Fomos nos achando e nos perdendo, muitas fotos aqui e acolá, pedindo algumas informações, indo até cansar e chegar no alto da cidade e encontrar o tal do Office de Tourisme.

Vista desde a cidade baixa.

Na parte baixa da cidade, a mistura de arquitetura antiga, flores, alguns riachos e uma cidade em sua vida.

Nos perdermos pela cidade baixa nos permitiu ver para além da parte mais turística, tanto que em várias ruas éramos nós e alguns moradores apenas.


O tempo está por tudo: "Hospedaria da Cruz de Ouro fundada em 1270 - Boa mesa."

Para chegar ao escritório de turismo, atravessamos uma parte da cidade medieval mais turística e saímos pela muralha. Achamos o tal Office e tomamos informações sobre locais de visitas e espetáculos que haviam. Já passava de meio-dia, a fome batendo, resolvemos sentar num dos restaurantes na pracinha central da cidade murada (Place du Chatel) e almoçar. A garçonete logo foi avisando que iria demorar. Mas tudo bem, a fome não nos deixaria seguir pelo dia, precisávamos descansar um pouco, e o tempo presente em cada pedra da cidade nos dizia para relaxar. Afinal, um lugar que passou a ser edificado antes do século IX d.C. deve ter algo a nos ensinar sobre o tempo.

Porte Saint-Jean
Há quatro visitas pagas na cidade, cada uma custando em média 4 euros: Torre de César; Subterrâneos e o Hôtel-Dieu; Museu de Provins; e La grange aux dîmes (casa medieval com manequins e cenografia para visita com audioguia). Se pagar pelo passe que dá direito a entrar em todas, custa 12 euros. Considerando o tempo e que também queríamos assistir um dos espetáculos (por que não daria tempo de assistir os dois espetáculos - um com águias e outro com cavalos e cavaleiros-, fazer alguma visita e ainda almoçar), optamos por visitar o subterrâneo e a Torre de César.
mapa de Provins
Decidimos começar pelo subterrâneo, que já havíamos passado na frente ao subirmos pra cidade medieval. Mas não resistimos em ir fotografando muito na descidinha até lá. Ao chegarmos, descobrimos que a visita do horário já havia começado e que a seguinte estava já lotada.... Um pouco de frustração pela nossa falta de programação, mas fomos tomar a cidade! Resolvemos visitar então o Collegiale de Saint-Quiriace, do século XII, atentos ao seu exterior imperativo na paisagem urbana em seu interior que, como todas estas igrejas francesas,é imenso e imponente.



Púlpito em madeira entalhada. Impressiona os arcos ogivais e a dimensão da nave.

Dali fomos pra visita da Torre de César, o xodó da cidade, também iniciada no século XII, com diferentes etapas de ampliação. Já no começo há painéis mostrando a evolução e ampliação da edificação ao longo do tempo. Fomos seguindo corredores, salas maiores, escadas e escadinhas (algumas que às vezes nos perguntamos como alguém consegue passar por ali), olhando por janelas e janelinhas, vendo diante de nós a paisagem longínqua e a cidade ao redor.
No final, há um vídeo contando a história do prédio utilizando ilustrações em estilo medieval.

Tour Cesar

Detalhe da Torre de César.

Vista desde o alto da Torre de César.
Vídeos contanto a história da cidade e da construção da torre.
Há indícios de ocupação humana no local desde o paleolítico. Como cidade, Provins é considerada como a terceira criada na França, depois de Paris e Rouen. Estima-se que no século X ela tinha 80.000 habitantes. É mole?

De olho no relógio, seguimos para o espetáculo Les aigles des remparts [As águias das muralhas]. Com as muralhas como cenário de fundo, o espetáculo inclui a presença ainda de alguns outros animais como dromedário, cavalos e lobos. Com figurinos variados, trilha sonora e diferentes dinâmicas (com textos e músicas mais emotivos ou cômicos), com alguns vôos rasantes sobre o público, arrancando suspiros e sorrisos, foi muito bonito o espetáculo. São diferentes aves de rapina, de águias e falcões, à corujas, abutres e outros mais. O chuvisco durante o espetáculo não chegou a atrapalhar. Valeu os 12 euros para adultos e 8 euros para crianças.





Após o espetáculo, a saída atravessa o local onde os animais vivem, o que permite ver os animais mais de perto, saber seus nomes e locais de habitat natural.
Não poderíamos ir embora de Provins sem andar um pouco sobre as muralhas. Um pouco ali perto, vimos uma subida (próximo a Porte de Jouy), que nos dava uma visão do alto tanto do exterior quanto do interior em nova perspectiva. 
Torre de César e Collegiale de Saint-Quiriace visto desde o alto a Porte de Jouy com um chuvisco
Descemos a muralha e continuamos acompanhando-a um pouco. Já não haviam mais turistas e seguimos tranquilos pelo Trou au Chat até vermos esta outra porta de saída lateral cujo caminho ainda levava convidativo a longe.


O trem para Paris é de hora em hora, e tendo ainda tempo, resolvemos voltar a pé, mesmo sabendo de um ônibus que poderíamos tomar ali perto do Office de Tourisme. Com isso, ainda entramos em alguns comércios vendo objetos rústicos decorativos e a livraria medieval, especializada no assunto. Ao passarmos pela Place du Chatel, o comércio já estava fechado e não passava muito das 18h. Considerando que é verão, e nestes dias tem escurecido por volta de 22h...

A Livraria medieval é descendo uma longa escadinha por esta porta... muito bonita.
No caminho, já na cidade baixa, compramos uns lanchinho num supermercado e seguimos pra Gare (estação de trem). Foi daí que vimos que logo ali havia outro Office de Tourisme. Enfim, teríamos ganhado um pouco mais de tempo se tivéssemos ido ali logo na chegada, mas provavelmente perderíamos a parte mais viva de Provins, ficando nesta parte mais turística medieval.

Provins tem um calendário de eventos, atividades e espetáculos em torno dos temas medievais. Vale a pena conferir. Existem diversas cidades na França com festas medievais muito bacanas, como também a de Laon, cerca de uma hora e meia de Paris ao nordeste, na região de Champagne.
Nem de perto esgotamos Provins. Acho que valeria a pena voltar, e chegar mais cedo!

Site do Office de Tourisme de Provins: http://www.provins.net/fr/site-officiel-de-loffice-de-tourisme.html

Desbravando o interior da França III - Gerberoy e arredores

Uma delícia de roteiro que Ismael descobriu e planejamos juntos foi circular por alguns vilarejos das regiões de Picardie e Normandie. Escolhemos como base para ficar hospedados a cidade de Gerberoy, uma petite ville lindinha que é realmente uma das menores cidades da França. Quando estivemos lá, sua população era de 88 pessoas. Isso mesmo, eu não esqueci nenhum dígito, 88!!

O que nos fez escolher esta entre tantas? O fato de que Gerberoy estava entre as Plus beaux villages de Franceou "Os mais belos vilarejos da França"Um selo criado com a intenção de fomentar a preservação e divulgação dos pequenos e super charmosos vilarejos espalhados pelo interior da França. 

A caminho de lá, passamos por algumas cidadezinhas lindas, que nos faziam parar a cada instante para aproveitar a paisagem, curtir a beleza e fotografar. Tanto que em determinado momento nos perguntamos, o que é que Gerberoy pode ter de tão mais lindo que isso tudo que estamos vendo??! Quando chegamos lá descobrimos!! Quase parecia de mentira!! Cenário de filme... simplesmente nos apaixonamos!!


Cada ruela é um recanto!
Detalhes fofos da cidade



Jardins do pintor Henri le Sidaner (1862-1939)

Jardins do pintor Henri le Sidaner (1862-1939)

Pesquisando sobre hospedagem descobrimos um Chambre d'Hôte na cidade e consideramos a opção perfeita para o destino, na verdade nem sei se tem outras opções. Foi fácil de encontrar o Le Logis de Gergeroy, e Cécile nos recebeu de forma impecable. Logo estávamos com nossas coisas acomodadas num dos quartos super charmosos da casa e prontos para explorar a petite ville. Ao sair perguntamos sobre opções de lugares para fazer refeições, considerando que não demoraria muito para a hora da janta. Cécile nos falou que não haviam muitas opções, na verdade apenas um restaurante, mas que naquela noite estaria fechado. Mas eles também ofereciam La Table d'Hôte, ou seja "a mesa do anfitrião", poderíamos deixar reservado e eles se encarregariam de nosso jantar. Ok, assim o fizemos, sem saber ao certo o que esperar e lá fomos explorar a cidadezinha.

Já instalados e dando tchauzinho na janela
Vista que tínhamos do nosso quarto

Quando voltamos para jantar, Cécile nos mostrou um pouco da área térrea da casa onde os hóspedes podem circular e usufruir também. Havia uma sala grande super aconchegante que se juntava à sala de jantar, nesta sala reparamos numa estante repleta de álbuns de fotos, pedimos para dar uma olhada e Cécile nos contou que ela e o marido são parisienses, ela era fotógrafa e um dia resolveram dar uma guinada na vida e ir morar no interior, numa cidade menor (beeem menor!! rsss...), e o que os fez escolher Gerberoy foi a casa, eles se apaixonaram quando a conheceram e decidiram que era ali que iriam morar e criar suas filhas, depois de um tempo resolveram investir para tornar a casa rentável e assim surgiu o Chambre d'Hôte. Ela administra e recepciona os hóspedes e o marido é o chef e faz-tudo. Conhecemos também o quintal nos fundos, com uma grande área verde, super convidativo. Deu pra entender porque eles se apaixonaram pela casa!

O quintalzinho da casa onde nos hospedamos!

Na hora de jantar, sentamos à mesa com mais dois casais, um de franceses e o outro de alemães, ambos na faixa dos 60 anos e Joaquim era a única criança. Tive meus temores de que rolasse algum inconveniente, pois misturar pessoas de mais idade com uma criança de 4 anos à mesa nem sempre dá certo. Mas Joaquim foi um lorde, très mignon, como afirmou a senhora alemã. Quebrado o gelo do primeiro momento, Cécile deu início ao que consideramos uma experiência incrível! Um jantar à francesa repleto de informações, pratos e bebidas típicas da região onde estávamos. Nossa anfitriã começou explicando as opções de bebida que tinham para servir: sidra da Normandie, vinho ou cerveja, também produzidos na região. Cada casal escolheu uma das opções, nós optamos pela sidra e Joaquim tomou a lemonade mais cara da história, que no fim era uma espécie de Sprite! (única frustração da noite). Na sequência, Cécile foi introduzindo cada um dos pratos, explicando os temperos e preparo, assim como a procedência de cada coisa. Na hora dos queijos, ela nos explicou a ordem recomendada para se comer cada um dos tipos, de forma a apreciar melhor o sabor de cada um. Foi lindo!!!



Nosso jantar à francesa na Table d'Hôte. Magnifique!!

Na manhã seguinte, depois de um delicioso café da manhã, saímos dispostos a explorar os arredores da cidade. Com um mapa da região em mãos, fizemos um lindo passeio vendo e vivendo um pouco das lindezas da França!

Nada como se perder em estradinhas assim...
A primeira parada foi para fotografar um castelo lindinho que vimos no meio da estrada, era o Château de Hannaches.
Ficamos circulando o castelo e procurando os melhores ângulos,
a vontade mesmo era de entrar nessa portinha azul!
A alegria de se deparar com lindezas inesperadas pela estrada!
Seguindo o mapa, nossa próxima parada foi em Saint-Germer-de-Fly, onde lemos sobre a Abadia e Saint-Chapelle, que valia a pena conhecer. É um lugarzinho titiquinho de nada, ou seja, super pequeninho como tudo ali pela região e com o mesmo ar encantador! A Saint-Chapelle estava aberta a visitação e foi bem legal entrar e apreciar aquela beleza silenciosa... Aliás, essa foi uma marca dessa viagem, por todos os lugares em que passamos sentimos tranquilidade, paz, silêncio... acho que teve a ver com o roteiro que escolhemos e com o fato de as férias escolares ainda não terem começado nessa época. Voilá, seja qual for o motivo, foi muito bom fazer passeios sem "muvuca"!


Abadia e Saint-Chapelle
 

Vitrais da Sain-Chapelle 
Em frente à Abadia havia um restaurante fofíssimo que, só pela fachada, nos convidou a entrar, e como era a hora do almoço, foi perfeito! Além de fofo, a comida era deliciosa!


Vê se não dá vontade de entrar!

A fome era tanta que não deu tempo de registrar tudo, esta foi a entrada.
Estava tudo lindo, além de delicioso!! 

Além da visita à Saint-Chapelle e o almoço memorável, ficamos bem felizes com as informações e mapas que conseguimos da região! Ismael ama mapas, então pense numa pessoa feliz!!





Próximo destino: Lisors, para conhecer a Abadia de Mortemer, um lugar cheio de histórias pra contar...

Logo na entrada nos deparamos com essas lindezas...

Essa chaminé muito convida, né não? Fica na entrada da área e é onde se compra os ingressos.

Prédio principal, logo na chegada, onde tem um museu que conta um pouco da história do lugar.
Quando chegamos em Lisors para conhecer a Abadia de Mortemer, o clima não estava muito favorável. Céu cinza, vento, mó cara de chuva... mas a gente é brasileiro e não desiste nunca, lá fomos nós!

Logo de cara tivemos que nos abrigar da chuva no pombal!!!
Nada que algumas fotos lindas não façam valer a pena!!

Ruínas da Abadia de Mortemer, em Lisors, construída em 1134. Chegou a abrigar 200 monges.
Em 1790, haviam apenas cinco, que foram mortos na revolução francesa.

Este burrico ao fundo urrava como ele só!! Durante nossa exploração pelo local ouvíamos
ele de vez em quando e Joaquim sempre dizia: "ó, escuta, nosso amigo burro!!"

Ruínas da igreja da Abadia de Mortemer, em Lisors

Caminho dos duques, no bosque da Abadia de Mortemer


Visitar a Abadia de Mortemer é um belo passeio entre história, ruínas, natureza e muita beleza!

Seguindo nossas andanças por estradinhas muito charmosas, chegamos a Lyons-la-Fôret, mais uma cidade lindinha de tudo! Um lugar que mais parece um portal mágico que nos leva há tempos muito distantes...

Que tal se hospedar num Hotel que existe desde o ano de 1610?!

Pense numa fachada de comércio das antigas! "A loja das quatro fazendas".

Caminhar pelas (três ou quatro) ruas de Lyons-la-Fôret é um colírio para os olhos! A gente não cansa de achar tudo lindo, mesmo já tendo visto tanta beleza num só dia!
Nós caminhamos a esmo pelo centrinho e entramos num mercadinho, algo que amamos fazer em todas as cidades por onde passamos, parece que a gente tem uma noção mais real de como vivem os locais! he he...




Este é o Mercado público da cidade, onde acontecem as feiras livres.
Para fechar o dia de perambulações, paramos em Songeons. Mais um desses lugares de querer parar e ficar...

Songeons

Detalhes de Songeons que inspiram!

Lá pelas tantas nos pegamos "escolhendo uma casa" na vitrine de uma Imobiliária...
Que tal vir morar numa pequena vila do interior da França?! (ai, ai... suspiro...)
O moço da loja bem que ficou empolgado nos convidando para entrar, rssss...
Partimos de Gerberoy no dia de nossa volta ao Brasil. A ideia era pegar a estrada para Paris, trajeto de mais ou menos 1h15 até o aeroporto Charles de Gaulle, e fazer uma parada no caminho para conhecer o Castelo de Chantilly. Mas, infelizmente, o tempo não ajudou neste dia, estava chovendo muito. Chegamos a parar no estacionamento, mas quando vimos a distância até o castelo, calculamos tempo de apreciação + roupa molhada na bagagem + stress para visitar tudo no pouco tempo que tínhamos... até que lembramos daquela máxima que diz que é importante sempre deixar um gostinho de "quero-mais"! Então decidimos que um dos tantos "quero-mais" aqui na França pra nós será conhecer Domaine de Chantilly!